Quando não estamos obtendo o alimento que advém de nos conhecermos bem, freqüentemente nos voltamos para os outros à procura de satisfação. Porém, como não sabemos na verdade o que está faltando em nossas vidas, somos incapazes de comunicar nossas necessidades claramente, o que pode nos levar a experimentar decepções e dor. Quanto mais mergulhamos em sentimentos de insatisfação, mais frustrados e inseguros nos sentimos: nossos relacionamentos se tornam amargos e não conseguimos trabalhar de modo eficaz. Longe de estarmos livres, somos aprisionados pela nossa falta de atenção plena, arrastados por ciclos aparentemente infindáveis de ansiedade e infelicidade. Passamos a girar em círculos, em busca de realização, sem nunca a encontrar; e esta procura se torna padrão das nossas vidas.

Vivemos num mundo que se movimenta muito rapidamente e que nos pressiona a acompanhá-lo. A maioria de nós não quer viver desta maneira, embora sejamos envolvidos pelas demandas que a sociedade coloca sobre as nossas vidas. Na superfície, podemos parecer livres, mas, internamente, sofremos as tensões impostas por este ritmo acelerado. Movemo-nos tão rapidamente que não temos tempo para apreciar nosso próprio ser; perdemos contato com nossas qualidades positivas e com a força que elas podem nos trazer.

Os obstáculos à nossa liberdade interior são normalmente estruturados na infância. Enquanto crianças, sabemos o que sentimos em relação às coisas, e raramente hesitamos em manifestar nossos sentimentos. Mas as pressões da família e dos amigos nos levam a adotar pontos de vista e padrões de comportamento mais estreitos, que se conformem com o que as pessoas esperam de nós. Quando nossas idéias e sentimentos naturais são desencorajados, perdemos, gradativamente, contato com os nossos sentidos, e o fluxo de comunicação entre o corpo e a mente fica inibido; não sabemos mais o que sentimos na verdade. À medida que os padrões de repressão se tornam mais fortes e mais fixos, diminuem as nossas oportunidades de expressão própria. Ficamos tão acostumados a nos enquadrar que, conforme vamos crescendo, deixamos estes padrões regerem as nossas vidas; tornamo-nos estranhos a nós mesmos.

Como poderemos retomar o contato com a nossa pessoa? O que podemos fazer para nos tornarmos genuinamente livres? Quando podemos começar a olhar com clareza para a nossa natureza interior, ganhamos uma perspectiva em relação ao nosso desenvolvimento, que nos liberta para crescer. Esta clareza é o início do autoconhecimento e pode ser desenvolvida simplesmente através da observação da atividade da nossa mente e do nosso corpo.

-Tarthang Tulku

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