Quando todas as pessoas se colocam de acordo a respeito de uma opinião ou uma atitude e maneira de atuar, manifesta-se um consenso, que dita uma norma. Quando uma norma é adotada por muitos, cria-se um hábito.

A maior parte de nossos costumes são o resultado de normas que adotamos, mais ou menos conscientemente, mediante a imitação dos atos de nossos pais e educadores. Como diria Freud, pelo mecanismo de introjeção. Essas normas deveriam ter a função de preservar nosso equilíbrio físico, emocional ou mental, assim como harmonia e qualidade de vida.

Nesse sentido, há uma crença bastante enraizada segundo qual tudo o que a maioria das pessoas sente, acredita ou faz deve ser considerado normal. E, por conseguinte, servir de guia para o comportamento geral, um roteiro para a educação.

Lamentavelmente, nem todas as normas são benevolentes. Ao contrário, algumas são geradoras de sofrimentos e enfermidades, podendo conduzir até mesmo à morte. Como são dotadas de um consenso social, as pessoas não percebem o caráter patogênico.

Certos fatos e descobertas recentes sobre as origens de sofrimentos e de doenças, em nível individual ou social, como as guerras e a violência, assim como em nível ambiental, como a destruição dos ecossistemas, estão a contestar, seriamente, o conceito de normalidade suportado pelo consenso social. Surge uma denúncia lúcida de que certas normas sociais, atuais ou passadas, levam ou levaram ao sofrimento físico e moral indivíduos, grupos e comunidade global.

– Pierre Weil
– Imagem: Filme Guerra Mundial Z

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